Visões de São Paulo : Lévi-Strauss, Bastide, Monbeig

São Paulo, foto de Marcel Gautherot

Artigo de Fernanda Arêas Peixoto

“A imagem de São Paulo como terra de estrangeiros circula em diferentes registros : no senso comum, nas artes e na bibliografia histórica-sociológica. Isso se relaciona diretamente às levas de migrantes que aqui aportaram entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, alterando a fisionomia física e social da cidade, que se torna incompreensível, a partir de então, sem esses personagens. Trabalhadores fabris e artesões; empresários, artistas e profisionais liberais – que se fixam ou passam pela cidade – deixam suas marcas na linguagem, nos hábitos e sociabilidade locais, bem como nas construções, na arquitetura, nas artes e na produção do conhecimento de modo mais geral.

O objetivo aqui é tentar uma aproximação desse cenário mais amplo, com a ajuda de um acesso específico. Trata-se de olhar para São Paulo nas primeiras décadas do século XX a pertir de três experiências : as de Claude Lévi-Strauss (1908), Roger Bastide (1898-1974) e Pierre Monbeig (1908-1987), professores da Universidade de São Paulo, que viveram e circularam pela cidade nos anos 1930 e 1940. Em outras palavras, o meu intuito é tentar localizar as perspectivas de cada um deles sobre a cidade, que se revela- por meio dessas miradas estrangeiras – de novos ângulos.

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Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 20, 1978, sobre Roger Bastide.

Bastide escreveu a introdução da revista. Nela, ele volta sobre a sua experiência de pesquidador no Brasil. Conta com muito carinho as suas lembranças das Mães de Santos que ele encontrou. Veja aqui

Videos e audios sobre a história da USP

Link do site comemorátivo dos 75 anos da USP.

Ouça sobre tudo esse programa :

Biblioteca Sonora – Francofonia
A USP deve muito a professores franceses que, nos primeiros anos da história da Universidade, aqui lecionaram e ajudaram a compor o perfil intelectual da instituição que acabava de nascer. Nesse especial, o professor Antonio Candido, da FFLCH, fala sobre a importância dos franceses para a Universidade. Entrevista de Jean Maugüé.

Entrevista com Roger Bastide em 1973, sobre o contexto da USP

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Entrevista: Claude Lévi-Strauss, aos 90

Entrevista de Beatriz Perrone Moisés, Professora do Departamento de Antropologia – USP.

Esta entrevista foi realizada a 10 de novembro de 1998. A rapidez e a gentileza com que Lévi-Strauss respondeu à consulta feita pelo Departamento de Antropologia quanto à possibilidade de realizá-la, confirmaram informações de várias pessoas que já o conheciam pessoalmente: de fato, é muito disposto e receptivo. Recebeu-me em seu escritório no Laboratório de Antropologia Social, onde continua indo, religiosamente, duas vezes por semana.

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Bastide e o Brasil

Roger Bastide e o Brasil, Maria Isaura Pereira De Queiróz

Desde seus primeiros momentos brasileiros, procurou Roger Bastide decifrar o enigma de uma sociedade e de uma civilização aparentemente tão europCia à primeira vista, e que era no entanto tão pouco européia em tantos aspectos; mas logo de início suspeitou das hipóteses que poderia formular baseando-se exclusivamente na bagagem científica que trouxera do Velho Mundo, e voltou-se decidido para os autores brasileiros, – escritores, historiadores, primeiros sociólogos e antropólogos, economistas, – que desde a Independência vinham tentando compreender sua própria sociedade e cultura: Raimundo Nina Rodrigues, Euclides da Cunha, Manuel Querino, Oliveira Vianna, e tantos outros. Leia aqui

Roger Bastide, professor da Universidade de São Paulo

Roger Bastide, professor da Universidade de São Paulo,

Maria Isaura Pereira de Queiróz

A contribuição que trouxe às Ciências Sociais brasileiras constituiu, primeiramente, o precioso elo que estabeleceu entre os sociólogos nacionais dos primeiros tempos, que vão desde 1870 a 1940 aproximadamente, e os que vieram em seguida à fundação da Universidade de São Paulo, passando pelo Departamento de Ciências Sociais ou pela Escola Livre de Sociologia e Política, fundada um ano antes. A contribuição de seus predecessores ao seu próprio trabalho, ele a reconheceu na homenagem que lhes rendeu na Introdução de seu extraordinário trabalho sobre as religiões negras no Brasil, mostrando o quanto aprendeu com elas (Bastide, 1960). Formou aqui uma primeira turma de cientistas sociais, cujas obras, voltadas para problemas os mais variados, revelam uma faceta muito importante do mestre: a liberdade que dava aos seus alunos. Leia aqui

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